Plantas de vinha

Castas Tintas


A casta Tinta Barroca é plantada quase exclusivamente na região do Douro e muito utilizada na produção de vinhos de lote.  
É uma das castas que compõe alguns vinhos do Porto, contudo os seus vinhos mono-varietais não são muito célebres.  A Tinta Barroca é bastante popular entre os produtores, pois é fácil de cultivar e muito produtiva. É uma casta muito regular na produção e resistente a doenças e pragas.  Além disso, tem uma maturação precoce e os seus bagos concentrados de açúcar originam vinhos com elevada concentração alcoólica. 
Os vinhos produzidos a partir da casta Tinta Barroca são fáceis de beber e de taninos suaves. Contudo, a maior parte das vezes, não são muito equilibrados nem concentrados.  Historicamente, contribui para vinhos de lote de alta qualidade. Na actualidade, especialmente no Alentejo, permite vinhos de qualidade muito elevada.
Boa capacidade de envelhecimento do vinho, com particular aptidão para envelhecimento em madeira. No vinho o aroma é horizontal, ou seja, tem um acesso ao nariz lento, aveludado, delicado, como que pedindo que se mergulhe no seu interior. Esta sua característica aromática aberta e feminina contrasta bem com a da casta Roriz. O aroma floral aparece com mais frequência nos sítios mais húmidos (Almeida 1990).
Clones em multiplicação: mistura policlonal, 9JBP, 129JBP.


A casta Tinta Caiada encontra-se em várias regiões vitícolas portuguesas e tem uma baixa qualidade vitícola e enológica, por isso não tem sido uma aposta nos novos encepamentos.  A Tinta Caiada apresenta cachos e bagos de tamanho médio. É muito sensível à podridão e precisa de climas muito quentes para amadurecer convenientemente.
É no Alentejo que a casta Tinta Caiada tem produzido vinhos mais interessantes, devido ao clima quente e elevado número de horas de sol, propício à correta maturação dos bagos.  Estes vinhos têm cor intensa, boa acidez e aromas agradáveis a fruta madura e vegetais. É sensível à podridão.  
Produz um vinho pouco alcoólico, com boa cor e adstringente. 
Conhecida na Estremadura de Portugal como Monvedro, a Tinta Caiada, juntamente com as castas Tinta Aragonês/Tinta Roriz e Trincadeira, são a base da composição da maioria dos vinhos tintos alentejanos.


A casta Tinta Negra ou apenas Negra Mole é a variedade tinta mais plantada na ilha da Madeira.  Também é cultivada no Algarve, embora não atinja as qualidades daquela que é cultivada na Madeira, devido às condições climáticas.  Os cachos da Tinta Negra Mole variam entre o tamanho médio e grande e são formados por bagos de coloração não uniforme (variam entre o negro-azulado a rosado).  Esta casta produz um vinho tinto muito doce e foi muito utilizada para produzir vinho da Madeira. 
A introdução da casta Tinta Negra Mole na Madeira remonta ao século XVIII. Nem sempre foi  reconhecida como uma casta nobre, como aconteceu com os outros vinhos, mas de qualquer forma a sua importância não fica diminuída devido a este facto. Contudo, os produtores chegaram à conclusão que independentemente da qualidade desta casta, os vinhos generosos elaborados com Tinta Negra seriam sempre inferiores àqueles elaborados a partir das castas Boal, Sercial e Malvasia.
Mas esta casta contribuiu muito, por mérito próprio, para a fama e popularidade dos vinhos da Madeira, e por isso, é agora considerada nobre pelos “experts” na matéria. Foi a mais recente aquisição na categoria de vinhos nobres na Madeira. Esta casta é especialmente importante na fase de mistura dos vinhos da Madeira. Este tipo de vinha compõe cerca de 60% da produção total de uva na Madeira, e foi produto de cruzamentos de vinhas Pinot Noir e Grenache . A Tinta, como é popularmente chamada, é mais que um aditivo na mistura dos vinhos, é na verdade,  um complemento essencial para a excelência dos Vinhos Madeira.


A casta Tinto Cão é cultivada na zona do Douro desde o século XVIII, contudo como era pouco produtiva nunca foi muito apreciada pelos agricultores. Por volta dos anos 80 descobriu-se que a Tinto Cão possui ótimas características para a produção de vinho do Porto.  
 
O cultivo desta casta alargou-se a outras regiões, como o Dão, Estremadura e Península de Setúbal, onde existe em pequenas quantidades.  
 
A Tinto Cão possui cachos muito pequenos e de maturação tardia. É muito resistente a doenças e à podridão, além de suportar temperaturas muito elevadas.  A casta Tinto Cão é frequentemente lotada com as castas Touriga Nacional, Aragonês, entre outras.  
 
Produz vinhos de carregados de cor e de aromas delicados e florais. Os vinhos elaborados com a Tinto Cão normalmente possuem textura aveludada e densos, bem como equilibrada aos níveis de acidez e de açúcar; além disso, são propícios a longa guarda, pois tornam-se elegantes e finos com o passar do tempo. O vinho desta tinta também pode ser claro e picante; seus taninos, suaves e duros ao mesmo tempo.


Mais conhecida por Touriga Francesa, é a casta tinta mais cultivada na região onde se produzem os vinhos do Douro e do Porto.  
 
Amiga do viticultor, é de cultivo fácil, pouco sujeita a doenças da vide e tem boa capacidade produtiva. Apresenta aromas finos e intensos, com notas de frutos pretos e flores silvestres, a que se juntam um bom corpo e cor.  
 
É uma das castas utilizadas na elaboração dos vinhos generosos durienses, associada a outras castas nobres da região, como a Tinta Roriz e a Touriga Nacional, mas tem também capacidade para se afirmar por si só, como o provam algumas experiências bem sucedidas de vinhos varietais.  
 
O aroma é geralmente intenso, com um toque floral evidente a rosas e um aroma frutado a esteva apenas nos bons anos. É um vinho com taninos e fruta bem equilibrados, mas sem ser excepcional. No final da boca deixa um gosto bastante frutado e persistente.  Enche bem a boca, dando a sensação de vinho encorpado e de boa estrutura, mas com pouca elegância (Almeida, 1990/98, Douro).  Boa capacidade de envelhecimento, com particular aptidão para envelhecimento em madeira de carvalho francês.


Foi, em tempos idos, a casta dominante na região do Dão e a responsável quase exclusiva pela fama dos seus vinhos. É, hoje, uma das mais utilizadas no Douro e tida como uma das mais nobres castas tintas portuguesas. 
A Touriga Nacional é uma casta muito vigorosa e de rendimentos elevados. Dá origem a vinhos retintos, encorpados, poderosos e com excecionais qualidades aromáticas; «O aroma é macio, redondo e quente, com notas de amora, mirtilo, frutos silvestres vermelhos escuros, quase pretos, muito maduros, caruma de pinheiro, com algumas passagens flores silvestres, (esteva e rosmaninho); notas florais com predominância para violeta.
A Touriga Nacional é uma cepa muito vigorosa, mas de baixa produtividade, e é capaz de produzir vinhos encorpados, tânicos e equilibrados, com boas graduações alcoólicas, muita complexidade e excelente capacidade de envelhecimento. Os taninos são poderosos e robustos, mas ao mesmo tempo, delicados, finos e elegantes.
A abundância de aromas é uma característica marcante desta uva, que se apresenta ao mesmo tempo floral e frutada, e sempre intensa e explosiva. Os aromas mais comuns remetem a violetas e a frutas maduras como amora, ameixa e mirtilo, apresentando também notas de alecrim, menta e chocolate escuro. A passagem em carvalho acrescenta, também, aromas de marshmallow, baunilha e noz moscada.
A sua fama tem vindo a espalhá-la por quase todas as regiões vitícolas, do extremo Norte até ao Algarve, e está mesmo a aguçar a curiosidade de viticultores estrangeiros.  Grande capacidade de envelhecimento em madeira, ganhando em complexidade aromática com estágio em madeira de carvalho francês.


Uma das castas portuguesas mais espalhadas pelo território.

Conhecida também como Trincadeira Preta, ou Tinta Amarela (principalmente na região do Douro), a Trincadeira é uma uva presente em todo o país, principalmente nas regiões secas e quentes.
Apresenta cachos médios e muito compactos. Os bagos são pequenos, uniformes, bem redondos, e com a cor negro-azulada. A película das uvas é frágil e fina. Tudo isso faz a Trincadeira não gostar de chuva, sendo extremamente sensível a doenças e à podridão.
As suas qualidades revelam-se, contudo, em zonas quentes, secas e de grande luminosidade, adaptando-se muito bem ao interior alentejano.  É uma casta difícil, de produtividade irregular e algo suscetível a bolores nefastos, mas, nos melhores anos, dá origem a grandes vinhos. 
Os vinhos produzidos à base de Trincadeira têm bons taninos, abundantes e suaves, uma acidez muito fresca, são muito ricos em cor, e têm boas condições para envelhecer em garrafa. São, sem sombra de dúvida, elegantes.  Tem uma excelente acidez, aromas intensos de ameixa e amora, e especiarias quando jovens; quando amadurecem desenvolvem aromas de compotas.  No seu todo, resultam vinhos elegantes e equilibrados.  
 
Do lote da Trincadeira com outras castas, como a Aragonês alentejana ou a Touriga Nacional no Douro, resultam vinhos de grande qualidade.


A casta Vinhão é essencialmente apreciada pelas suas qualidades corantes, pois origina vinhos de cor vermelha intensa e opacos à luz.  
 
Pensa-se que será oriunda da zona do Minho e terá sido levada para a região do Douro, onde é conhecida por Sousão. No Minho, a Vinhão é responsável pela maioria dos Vinhos Verdes tintos, que são reconhecidamente rústicos e de elevada acidez. Esta casta apresenta cachos de tamanho médio compostos por bagos médios e uniformes de cor negro-azulada.
No Douro, a Sousão é muito apreciada na composição do vinho do Porto, conferindo-lhe cor e acidez, condições essenciais para fortificados destinados ao envelhecimento. E também é utilizada no corte com outras uvas nativas de Portugal, em vinhos tintos de boa qualidade, produzidos também para envelhecer.
Os vinhos produzidos com a casta Vinhão ou Sousão apresentam também elevada acidez e por vezes, ficam muito acídulos. Os aromas mais associados à Sousão são os frutados e amadeirados. Frequentemente encontramos, nesse vinho, notas de passas.
 
No Douro esta casta é essencialmente utilizada para conferir boa cor ao vinho, incluindo o vinho do Porto.;  Vinhos de cor intensa, encorpado, aromas vinosos, a frutos silvestres (amora e framboesa), ligeiramente adstringente. Boa capacidade de envelhecimento.


A casta tinta Moscatel Galego Roxo existe em pequena quantidade na Península de Setúbal e produz um vinho generoso semelhante ao “Moscatel de Setúbal”, contudo de aromas e sabores mais complexos.
 
A Moscatel Galego Roxo é muitas vezes atacada por pássaros, devido ao aroma e doçura dos seus bagos.  O aspeto desta casta é bastante diferente da casta Moscatel: os seus cachos são pequenos e compactos, de bagos redondos e tom rosado, de extrema doçura.  
 
Os vinhos produzidos por esta casta apresentam um elevado grau de doçura, são muito aromáticos e de sabor persistente. Esta casta, à semelhança do Moscatel de Setúbal, tem um perfil aromático riquíssimo e contribui, de forma inequívoca, para as características de aroma e sabor dos vinhos a que dá origem.
 
Comparativamente, com os vinhos da casta Moscatel de Setúbal, este vinho generoso possui um aroma mais seco e complexo, mas não menos rico, à prova excede as expectativas criadas pelo aroma exibindo um paladar finíssimo onde ressaltam as especiarias e as compotas de ginja e figo. A casta Moscatel Galego Roxo é uma das castas “primárias”, por isso é determinante no aroma e paladar de um vinho. A casta Moscatel Roxo, está em franca recuperação na região de Palmela.


O nome Petit Verdot (verde pequeno), deve-se ao fato de o cacho ser pequeno, e nele conviverem frutas maduras e escuras, com outras ainda verdes, pois é uma variedade de amadurecimento tardio.  Portanto, os bagos não se desenvolvem adequadamente se o clima não for o correto durante a floração.  Petit Verdot é uma casta tinta utilizada principalmente em lote nos Bordeaux clássicos.  Amadurece tarde e é própria para climas quentes, como o do Alentejo, é uma uva  exigente, que detesta o excesso de água, e por ter casca grossa, é uma uva resistente conseguindo alcançar uma boa maturação.
 
Resulta assim em vinhos de concentração e cor intensas, taninos fortes e complexidade aromática, enquanto mantém a frescura graças à sua capacidade para preservar a acidez natural. Quando entra em um corte, além dos taninos adicionais que ela acrescenta ao vinho, ela também oferece aromas de flores, azeitonas, pimenta-do-reino preta, especiarias como cravo e noz moscada, e cássis (groselha preta). Quando envelhecido em barricas de carvalho francês (100%), obtém-se um vinho com componentes de fruta e carvalho equilibrados. 

A Petit Verdot tem mais uma particularidade que é a de muitas vezes dar dois cachos por rebento.


É característica da zona de Colares, afirmando-se como o rosto da região.  
 
A sua forma de cultivo é dura e esgotante, assente em solos de areia profundos, plantada em pé-franco, em produção directa, sem necessidade de recorrer a porta-enxertos. O seu cultivo é muito peculiar e trabalhoso, uma vez que esta casta é plantada em “chão de areia”. As vinhas situam-se muito próximas do mar e numa zona próxima de grandes cidades, por isso a pressão urbanística, a falta de mão-de-obra e a fraca rentabilidade do cultivo quase extinguiram esta casta.
 
A casta Ramisco tem uma maturação tardia. Os seus cachos são médios e compactos constituídos por bagos pequenos e arredondados. Os taninos fortes e a acidez natural elevada são as suas características mais distintivas, com cachos médios e compactos, constituídos por bagos pequenos e arredondados. Tem uma aptidão especial para criar vinhos com uma enorme capacidade de guarda, vinhos que necessitam de muito tempo de estágio em garrafa, difíceis enquanto jovens.
 
Os vinhos têm uma gradação alcoólica relativamente baixa (por volta dos 11º), acidez elevada e taninos intensos.  De verdadeiros «carrascões» enquanto jovens, transformaram-se em vinhos elegantíssimos, de cor rubi com reflexos acastanhados, aromáticos, de onde sobressaem notas de carne fresca, cogumelos, por vezes terra molhada, resina e madeira de cedro. Por trás da sua aparente fragilidade e da sua baixa graduação alcoólica, revela-se de uma personalidade ímpar, que o tornou um dos mais originais e carismáticos vinhos portugueses (Loureiro, 2002). Muito alta capacidade de envelhecimento do vinho (por décadas) e com uma boa aptidão para envelhecimento em barricas de carvalho francês.(valor enológico muito elevado).


A casta Rufete é a mais plantada nos encepamentos tradicionais da Beira Interior, sobretudo nas sub-regiões de Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo e Cova da Beira.
 
A casta Rufete, também conhecida por Tinta Pinheira, é também muito cultivada nas regiões do Douro e do Dão,  É uma casta caprichosa e exigente, reivindicando condições muito particulares para poder dar o melhor de si. Sensível ao míldio e oídio, é uma casta produtiva, com cachos e bagos de tamanho médio.  Esta casta raramente produz vinhos de elevada qualidade, no entanto, se atingir o tempo de maturação ideal (sensivelmente no fim de Outubro) consegue produzir vinhos encorpados, aromáticos e capazes de permanecer muitos anos em garrafa.  
 
A casta Rufete só produz bons vinhos em microclimas específicos, como por exemplo o de Pinhel, por isso é utilizada, a maioria das vezes, na produção de vinhos de lote. Por ser uma variedade de maturação tardia, tem dificuldade em madurar na plenitude, antes das chuvas do equinócio. Porém, quando amadurece bem, compõe vinhos aromáticos, encorpados, frutados e delicados, com um bom potencial de envelhecimento em garrafa. Vinhos de cor rubi (abertos), aroma floral, sabor herbáceo e estrutura ligeira. Muito fraco potencial para envelhecimento. Entra, geralmente em lote com outras castas, nos vinhos do Dão, aos quais confere algum perfume e acidez (Brites, 2000). É uma casta utilizada maioritariamente como lote juntamente com a Touriga Nacional e a Tinta Roriz.


Casta muito plantada nas regiões do Alentejo e Estremadura. Casta francesa, muito plantada mundialmente.  
 
Os seus bagos são negros-azulados, e dá origem a vinhos encorpados, ricos em matéria corante, e com elevada acidez e grande longevidade.  Os seus aromas varietais lembram especiarias (pimenta-preta), violetas, frutos silvestres (groselha-preta, framboesa e amora-preta).
 
Em condições de produção satisfatórias, os vinhos obtidos são muito corados, de um vermelho intenso com nuances violetas durante a juventude. A intensidade corante é sempre muito persistente. O potencial aromático é muito complexo, com compostos florais, frutados, especiarias e animais, sendo que os aromas mais frequentemente associados à Syrah são: framboesa, amora, ameixa, cereja, groselha, pimenta, canela, cravo, chocolate, baunilha, café, couro, fumo, menta, anis, flores selvagens e violetas. A ‘Syrah’ origina vinhos muito ricos em taninos. A riqueza taninica, a pujança e a amplitude dos vinhos tornam-nos vinhos de guarda.


Uma das variedades tintas mais cultivadas em Portugal, sendo melhor conhecida por Periquita, nome que lhe vem da “Cova da Periquita”, quinta de José Maria da Fonseca onde os seus vinhos começaram a ganhar fama.  
 
Casta vigorosa, mas de rendimento irregular, muito dependente do clima e das técnicas de condução das videiras.  Tem um excelente poder de adaptação a condições ambientais muito diferenciadas, o que lhe dá uma notável versatilidade, desafiando constantemente a imaginação dos enólogos na elaboração de vinhos muito distintos, consoante a região. Por vezes encorpados, pouco corados (coloração rubi), de graduação alcoólica pouco elevada, bons para beber jovens; outras vezes, muito corados e aromáticos, equilibrados na acidez e de graduação alcoólica mais elevada.
 
Adapta-se melhor às terras da Península de Setúbal, de onde saem os vinhos mais carnudos e intensos, com aromas de frutos vermelhos, groselha  e plantas silvestres, que se integram bem com o perfume da madeira de carvalho francês. Com a evolução surgem notas de compota e nalguns casos um carácter de caça. Noutras zonas pode apresentar comportamento enológico muito diferente. Os vinhos que reflectem a natureza das uvas, apresentando-se abertos de cor, com menor capacidade de envelhecimento e mais adequados para beber novos.


As principais regiões onde é plantada são: Alentejo, Estremadura, Ribatejo e Terras do Sado. Trata-se de uma casta francesa também cultivada em Portugal.  
 
É vigorosa e de produtividade média. Os bagos são negro-azulados e de maturação tardia.  Dá origem a vinhos ricos em matéria corante e taninos, que tendem a melhorar com o envelhecimento.  Cabernet Sauvignon, tem casca grossa, em geral, proporcionando cor escura aos vinhos. Presta-se a macerações longas - em Bordeaux, o padrão é de três semanas -, e temperaturas um pouco mais altas (30° C), sem necessariamente passar amargores ao vinho. Naturalmente, se o objetivo for fazer vinhos mais leves, poderá passar por macerações curtas ou mesmo maceração carbônica, típica do Beaujolais Nouveau. A tendência é de que os vinhos desta casta tenham cor escura, mas isso dependerá muito de como foi o amadurecimento das uvas e sua vinificação.
 
O aroma típico da casta varia substancialmente consoante as condições em que cresce, regiões mais quentes traduzem-se em aromas frutados: cássis (groselha preta), amoras, cerejas, ameixas, menta.  Grafite, cedro e tabaco podem aparecer com a idade.  Já os tostados, baunilha, café e caramelo, estão ligados ao amadurecimento em carvalho. Em zonas mais húmidas e frescas, os aromas vegetais (típico pimentão verde) e balsâmicos (eucalipto e cedro) evidenciam-se. Há muitos outros aromas possíveis - como os tão comuns salgados ou de ferrugem em Bordeaux -, dependendo da origem do vinho.
 
Os vinhos Cabernet Sauvignon, adaptam-se bem ao amadurecimento em barricas 100% carvalho francês. A afinidade do Cabernet Sauvignon com o barril de madeira é tanta que, não é por acaso, que a barrica bordalesa, de 225 litros, seja ornou-se um padrão mundial.


A casta Espadeiro é cultivada na região dos Vinhos Verdes e produz vinho muito apreciado na região.  Pode adotar outras denominações de acordo com o local onde é cultivada: Espadão, Espadal, entre outras designações.  
 
Esta casta é muito produtiva e apresenta cachos de grande dimensão, compactos e constituídos por bagos médios e uniformes.  
 
Os vinhos produzidos com esta casta são pobres em açucares, acídulos e de cor rosada clara ou rubi muito aberta (quando submetidos ao processo de curtimenta prolongada), de aroma e sabor a casta.  A acidez da Espadeiro é moderada e marcante, e seus vinhos são secos. Os aromas mais associados à uva Espadeiro são os frutados e cítricos, como toranja, aquela laranja avermelhada, e morango. Tradicionalmente, vinifica-se em «bica aberta», em diferentes locais da região para produção de vinho rosado conhecido por Espadal.


A casta Jaen é cultivada em terras lusas desde a segunda metade do século XIX.  
 
É uma casta muito comum no Dão e pensa-se que terá sido trazida para a região através dos peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela.  
 
A Jaen além de produzir generosamente é também uma casta vigorosa de maturação precoce. É bastante sensível ao míldio e à podridão.  Apresenta um cacho de tamanho médio e compacto. Possui bagos pequenos, uniformes, arredondados, com epiderme negro-azul, com média pruína; a polpa, não corada, é mole e suculenta.  É muito produtiva, de maturação precoce e teor alcoólico regular. Confere aos vinhos um aroma intenso de fruta muito madura.  Possui taninos de qualidade e de grande macieza.
 
Os vinhos produzidos a partir da casta Jaen são essencialmente caracterizados pela sua cor intensa, baixa acidez, vinhos perfumados, veementes nas notas aromáticas de amora, mirtilo e cereja.  Apesar de ser uma variedade levemente rústica, proporciona vinhos macios e sedosos, que arredondam rapidamente, vinhos simples, mas sedutores. “Vinho de cor rosada, aroma muito frutado, estrutura equilibrada, ligeiramente acídulo, paladar muito prolongado. Aroma intenso e delicado, lembra amoras e mirtilos, apesar de um pouco rústico, o carácter do seu aroma e a persistência que deixa na boca tornam estes vinhos inesquecíveis.” (Prof. V. Loureiro).


A casta Moreto é característica da zona do Alentejo, sendo bastante cultivada nas zonas de Reguengos, Redondo e Granja-Amareleja.  Pensa-se que terá sido introduzida na região, por volta do século XIX, quando se assistiu a um grande desenvolvimento da viticultura no Alentejo.  
 
A casta Moreto é ainda uma das principais castas de encepamentos tintos do Alentejo nomeadamente nas zonas vitícolas Granja/Amareleja (onde ocupa posição de destaque), Borba, Redondo e Reguengos Esta casta apresenta cachos de tamanho pequeno e bagos de tamanho médio e arredondados. É uma casta bastante produtiva e de maturação tardia, com baixos teores de açúcares, pelo que é geralmente a última casta a ser vindimada.  Casta de elevada robustez e produtividade, indicada para zonas de calor extremo. O teor de álcool provável é normalmente baixo apesar de ser tardia. Os seus aromas são pouco intensos, sobressaindo notas de frutos vermelhos, com alguma
 
Os vinhos produzidos com a casta Moreto são normalmente pouco encorpados e apresentam pouca cor, por isso é utilizada em vinhos de lote.  Normalmente as uvas entram em lote com as castas Trincadeira, Aragonês e Tinta Caiada, não sendo usual a vinificação estreme.

 


A casta Alfrocheiro encontra o seu território natural na região do Dão, apesar de ser ter expandindo com sucesso para Sul, estendendose às regiões do Alentejo, Tejo e Palmela.  
 
É uma casta vigorosa, necessitando de atenção redobrada para controlar o vigor, revelando uma propensão natural para sofrer com o oídio e a podridão cinzenta.  Produz vinhos ricos em cor, com um notável equilíbrio entre álcool, taninos e acidez. É essa notável capacidade para reter a acidez elevada, aliada à presença generosa de açúcares, que a torna tão oportuna nas terras do Sul.  Aromaticamente sobressaem os aromas a bagas silvestres, com destaque particular para a amora e o morango maduro. Por regra, dá forma a vinhos de taninos firmes, mas delicados e estruturantes. Casta de elevada qualidade cultural. Apesar de uma muito boa adaptação às diferentes características edafo-climáticas do país, do Minho ao Algarve esta casta tem uma representação relativamente baixa nos encepamentos das diferentes regiões vitícolas, embora com tendência a aumentar.  Apresenta cachos pequenos e medianamente compactos, recomendados para colheita mecânica, bagos pequenos e uniformes. Trata-se de uma casta com abrolhamento precoce. ATENÇÃO em zonas com geadas tardias.
 
“Produz vinhos de cor profunda, aroma fino e intenso, com notas de frutos vermelhos, equilibrado de gosto, com uma acidez integrada e um final muito harmonioso, sempre que as uvas são vindimadas nas condições ideais de maturação.” (Eng.º Paulo Laureano).


Casta tinta criada por Henry Bouschet, entre 1865 e 1885 em França, resultante do cruzamento entre as castas Petit Bouschet e a Grenache.  
 
É uma casta “tintureira” (com polpa vermelha), apresentando bagos redondos de cor negra e cachos grandes .Plantada no sul da França, principalmente na região do Languedoc, localmente nunca foi uma casta de renome. Em Portugal ganhou notoriedade pela produção de vinhos de muito boa qualidade, nomeadamente no Alentejo, onde o “terroir” local (Invernos frios e Verões quentes e secos, solos profundos e não muito pobres, com disponibilidade de água ao longo de todo o ciclo) lhe transmite as condições necessárias para o seu desenvolvimento pleno. Esta casta produz vinhos de cor densa, aromas ligeiramente vegetais, grande concentração de taninos, bom equilíbrio de acidez e enorme capacidade de envelhecimento.
 
Alicante Bouschet é uma variedade que produz vinhos escuros e profundos, de aromas frutados com notas de especiarias como pimenta e canela.  É uma cepa muito utilizada em cortes, nos quais participa acrescentando cor e taninos. Mas, principalmente no Alentejo, a Alicante Bouschet é responsável por vinhos varietais muito impressionantes, é a uva que dá estrutura, corpo, volume e boca cheia aos vinhos do Alentejo.


É a casta ibérica por excelência, uma das raras variedades a ser valorizada dos dois lados da fronteira, convivendo em Portugal sob dois apelidos, aragonês e Tinta Roriz (o segundo restrito às regiões do Dão e Douro).  
 
É uma casta precoce, muito vigorosa e produtiva, facilmente adaptável a diferentes climas e solos, tendo-se estendido rapidamente para as regiões do Dão, Tejo e Lisboa.  Se o vigor for controlado, oferece vinhos que concertam elegância e robustez, fruta farte e especiarias, num registo profundo e vivo.  Prefere climas quentes e secos, temperados por solos arenosos ou argilo-calcários.  É tendencialmente uma casta de lote, beneficiando recorrentemente da companhia das castas Touriga Nacional e Touriga Franca no Douro, bem como da Trincadeira e Alicante Bouschet no Alentejo. É uma casta muito adaptável a diferentes climas e solos, por isso o seu cultivo tem aumentado e alargado para as regiões do Dão, Ribatejo e Estremadura. As condições ideais de cultivo são os climas quentes e secos, para que a produção seja menor e os bagos mais concentrados.  
 
Esta casta origina vinhos de elevado teor alcoólico, de baixa acidez e indicados para envelhecer, sendo muito resistentes à oxidação. É a maior constituinte dos melhores vinhos. «Especialmente os vinhos jovens, que apresentam uma cor granada intensa, com reflexos violáceos, um aroma frutado forte e um sabor delicado, onde os taninos macios e cheios estão em grande equilíbrio com acidez, permitem um beber agradável e fácil. Com a idade, os vinhos evoluem depressa, tanto na cor, que passa a vermelho rubi, como no aroma, que perde as notas de fruta e ganha complexidade» (Laureano, 1999).


Apesar de caprichosa, a casta Baga é responsável pelos melhores vinhos da Bairrada, revelando-se igualmente importante nas Beiras e Dão, e, embora menos determinante, em Lisboa e Tejo.  
 
É uma casta vigorosa, com cachos de bagos pequenos, de maturação tardia, necessitando de mondas diligentes para conseguir manter a qualidade e maturação correcta da fruta.  Extremamente susceptível à podridão, sofre com as provações das primeiras chuvas de Setembro, preferindo os solos argilosos e com boa exposição solar.  Com boas maturações, e em anos secos, os vinhos da casta Baga assumem uma cor profunda, com fruta de bagas silvestres bem definida, ameixa preta, taninos sólidos e acidez mordaz, com notas de café, erva seca, tabaco e fumo.  
 
Os vinhos apresentam cor intensa, rubi ou granada, por vezes com tons violáceos. O aroma é muito frutado, com notas de amora, compota, mel e cânfora. Na boca, os vinhos de Baga jovem são, frequentemente, um pouco delgados, com taninos fortes e pouco cobertos. Com uma maturação correcta, os taninos arredondam e os vinhos ganham volume e persistência (Cardoso, 2005). Excelente capacidade de envelhecimento do vinho em barricas de 100% carvalho francês.


Casta tinta de qualidade, recomendada em toda a Região Demarcada com excepção da Sub-Região de Monção.  
 
Bem adaptada ao cordão habitualmente a sua condução é “arbustrum” (trepadeira em árvores), não apresenta problemas de afinidade com os porta-enxertos tradicionais da região, vegeta bem em zonas húmidas e quentes, preferindo os solos secos. Encontra-se largamente disseminada; produtiva e rústica; dá origem a vinhos de cor vermelha rubi, com aroma a casta, equilibrados, harmoniosos e saborosos.
 
Produz mostos naturalmente mais ricos em ácido málico e na acidez total, comparativamente com o Azal Tinto, Vinhão e Espadeiro, dando vinhos de cor vermelha rubi, com aroma da casta, equilibrados e saborosos; apresentam elevado potencial para a elaboração de vinhos elementares e capacidade média para o envelhecimento.


Borgonha produz vinhos lendários, em regiões vinícolas notórias, como Clos de Vougeot, Romanée-Conti, La Tache, Chambertin e Le Musigny. Todos os grandes vinhos borgonheses têm uma coisa em comum: Pinot Noir, uma das uvas mais antigas da França, e considerada, por muitos, a mais elegante. A região de Côte de Nuits, na Borgonha, estabeleceu o padrão para os vinhos pinot noir: tintos de corpo médio a cheio e textura suave, não tão “noir” como o nome sugere.
 
A Pinot Noir é frequentemente descrita como uma uva difícil de cuidar, pois exige muita atenção. É sensível aos climas húmidos e frios e apresenta uma propensão para a podridão e para os vírus. Em condições favoráveis, Pinot Noir, permite elaborar vinhos tintos de guarda de grande qualidade, aliando robustez, elegância e intensidade aromática. O potencial de acumulação de açucares desta casta é elevada com uma acidez média (por vezes insuficientes com boa maturidade). A cor do Pinot Noir é muitas das vezes pouco intensa, mas tem uma boa capacidade de a manter no tempo. O Pinot Noir é também utilizado para a obtenção de vinhos base para espumantes brancos e rosés.
 
A Pinot tem uma cor típica clara, produz um vinho encorpado, com uma textura sensual e aromas complexos a lembrar frutos silvestres, morangos, cerejas, com numerosas variações, cereja vermelha, preta, ginja e mesmo Kirsch/Quirche e violetas.  Conforme vai envelhecendo, desenvolve aromas a ameixa seca, caça, couro e ervas. Apesar da evolução dos vinhos ser rápida, o declínio dos melhores é bastante lento.  Mas é difícil definir um gosto típico de Pinot Noir, justamente por depender muito do terroir do qual foi extraída, e do seu processo de vinificação. Os melhores Pinot Noir são resultado de baixa produtividade por hectare, com podas reduzindo o número de cachos por parreira, gerando um sabor mais expressivo,


A palavra “merlot” significa pequeno “merle”, ou melro, em francês, que é um pequeno pássaro preto, comum na Europa.
 
Com tamanho dos bagos, médios, cilindro-cónicos, mais ou menos compactos, por vezes alados, bagos médios, esféricos, pele de espessura média de cor azul escuro (existe igualmente em rosa e “gris”), de polpa suculenta de sabor agradável.  A periferia da folha amarelece no Outono. Brotação média. Gosta muito particularmente e de solos argilo-calcários, profundos, ricos, que conservam suficientemente a húmidade, durante o Verão. O seu vigo é médio/forte o que pode conduzir ao aparecimento de numerosos sarmentos e ladrões, muito fértil e produtiva. Sensível às geadas de Inverno e da Primavera, à seca conduzindo neste caso à produção de bagos pequenos. O Merlot é pouco atacado pelo oídio e pela flavescência dourada; pouco atacada pelas doenças da madeira, mas sensível ao míldio, à podridão cinzenta, aos ataques da traça da uva, ao ervas daninhas e cigarras.
 
Os AROMAS do Merlot, pertencem essencialmente à família das frutas e em particular aquela dos frutos vermelhos: morango, framboesa, cereja vermelha. Em função do seu clima e do ano, os seus aromas podem adquirir uma expressão fruta cristalizada. Podemse juntar toques de ameixa seca, de violetas, especiarias doces e de couro e de pele de animal.
 
Os VINHOS que o  Merlot permite obter, são vinhos redondos e robustos, ricos em álcool e em cor, relativamente pouco ácidos. Estes vinhos encorpados e estruturado, com taninos bastante suaves, podem ter um estágio em barricas 100% de carvalho francês, adquirindo assim um excelente potencial de envelhecimento. Os vinhos saídos do Merlot representam uma síntese vinho tinto ideal, carnudo e com uma bela matéria frutada na boca. É a principal razão do seu sucesso em França e no mundo inteiro.


Casta cultivada principalmente no Douro (Portugal). Possui cacho pequeno, cilindro-cónico, ligeiramente compacto. Bago médio, oval.  
 
Casta de vigor elevado, porte semi-ereto, com época de abrolhamento média. Produção baixa. Sensibilidade elevada ao oídio, média ao míldio.  A época de maturação é tardia.  
 
Origina vinhos de acidez média e com alto teor de açúcares, utilizados em mistura com outras castas para a produção de vinhos do Porto.

 

 


 

 

 


 

Português Azul

 


 

Padeiro

 


 

Marsellan


 


 

Cabernet Franc

 


 

Bastardo

 


 

Alvarelhão

 


 

 

Castas Brancas

 


 

Airén

É a casta mais plantada no mundo. Cultiva-se sobretudo no centro de Espanha.

Cacho grande e alado; bago esférico, polpa macia. Cepa vigorosa de porte tombado (rasteiro), com época de abrolhamento tardia.

Apresentação produção abundante e constante, maduração tardia e uma acentuada fertilidade na base, pelo que se adapta a uma poda muito curta tipo Gobelet. Pode adaptar-se a espaldeira. Muito resistente às doenças.

Pouco sensível às geadas primaveris.

Resistência ótima à seca graças à sua rusticidade.

 

Obtém-se um vinho neutro e alcoólico, de qualidade média-baixa devido à sua elevada produtividade.

Atualmente e com o uso de métodos como curta maceração e fermentação a baixas temperaturas têm proporcionado vinhos refrescantes, frutados e equilibrados de muito boa qualidade, com uma cor amarela pálido, apesar da carência de acidez.

Clones em multiplacação: Airen 22-23, 24-13, 18-22.

 


 

Alvarinho


Produz mostos muito ricos em açúcares e, contudo, apresenta um razoável teor em ácidos orgânicos. Casta medianamente vigorosa, mas bastante rústica. Com um elevado índice de fertilidade, apresenta com frequência 3 inflorescências por lançamento, dando origem a cachos muito pequenos, alados e medianamente compactos, o que a torna uma casta pouco produtiva; este aspecto é contemplado nos estatutos da região, que lhe fixa um rendimento máximo por hectare de 60 hL, contra o de 80 hL para as restantes castas.  
 
Exige terrenos secos para potenciar a qualidade do vinho a que dá origem, facto que associado à natureza ácida dos solos em que é cultivada a torna bem adaptada ao porta-enxerto 196-17.  É uma casta precoce no abrolhamento e na maturação. Revela-se uma casta sensível ao míldio e oídio, muito sensível à acariose e atreita à esca.
 
Casta branca de elevado potencial vigor, prefere os solos derivados do granito aos solos pesados, húmidos e mal drenados, apresentando boa afinidade com os porta-enxertos habituais. Pela sua originalidade, é a responsável pela fama dos vinhos brancos produzidos na DOP Vinho Verde (regiões de Monção e Melgaço) e no geral evidenciam ser equilibrados, com boa estrutura e teor alcoólico e alguma acidez.
 
De cor intensa palha com reflexos cítricos, aroma intenso e complexo, conjugando num perfil floral (flor de laranjeira e violeta) e frutado (desde o marmelo, pêssego, limão, maracujá e lichia) muito característico e por vezes amendoado, avelã e noz, o aroma caramelizado do mel; são aromas distintos e complexos que conseguem ser intensos e delicados ao mesmo tempo, o que lhe dá um carácter encorpado e persistente e boa capacidade de envelhecimento.

 


 

Antão Vaz

Cepa de porte prostrado, vigor médio e pouco sensível ao desavinho e com boa produtividade. Pouco sensível às cigarrinhas verdes, tal como a generalidade das glabras.
 
Esta casta tem comportamento cultural robusto, tem produtividade elevada e tem também a particularidade de apresentar elevada resistência à secura, nestas situações as folhas têm consistência superior às de outras castas.  
 
Os cachos são compactos e cilíndricos e de maturação uniforme, com boa aptidão para a vindima mecânica.
 
Os vinhos desta casta possuem uma cor citrina e um aroma de intensidade média, mas de grande finura e complexidade, onde sobressaem notas de frutos tropicais maduros.  
 
Na boca, os vinhos são macios, ligeiramente acídulos e estruturados, mantendo a fineza e o frutado. O final é persistente e harmonioso. É uma casta de elevado potencial qualitativo.

 


 

Arinto ou Pedernã

A Arinto é casta branca autóctone, é cultivada em todo o país com especial destaque na DOP Bucelas, apresentando no geral boa afinidade com os porta-enxertos tradicionais. A casta Arinto espalhou-se, entretanto, para a maioria das regiões do vinho devido à boa capacidade de adaptação a diferentes terrenos e climas.
 
Casta de porte erecto. Vigor forte. Sensível à escoriose e à cigarrinha verde. Produção baixa, dando poucos cachos grandes por cepa, melhorando com poda longa.
 
Casta de abrolhamento e maturação tardios, na segunda quinzena de Setembro. É a casta de maior expansão entre as castas brancas, mas ainda apresenta pequena representatividade nos encepamentos das sub-regiões vitivinícolas nas quais está classificada. A casta é vigorosa, tem poucos cachos muito grandes e pode ser bastante produtivo no caso de ser podado a vara longa (Guyot). Casta que compensa a falta de acidez natural na maioria das castas brancas em cultivo.
 
Com grande valor do ponto de vista enológico, o Arinto, conhecida como Pedernã na região do Vinho Verde, tem uma cor cítrica aberta, e na acidez fresca uma das suas principais características, combinada com uma mineralidade única, medianamente intensos, excelente estrutura, um toque aveludado, o aroma é relativamente discreto, com notas de maçã verde e limão. Elevada capacidade de envelhecimento. Com o decorrer dos anos desenvolvem aromas de mel e querosene. Na boca são acídulos e mostram notas de fruta com excelente complexidade. - Para quem gosta de Riesling (seco), Pinot Blanc ou Chenin Blanc (seco).

 


 

Avesso

Uma casta considerada de alta qualidade, e relativamente nova, tendo nascido do cruzamento natural, entre que variedades não se sabe, mas provavelmente na sub-região de Baião, região dos Vinhos Verdes. É uma videira vigorosa e medianamente produtiva, que brota, floresce e amadurece precocemente, e é considerada difícil de cultivar e também de vinificar. A casta Avesso é cultivada na região dos Vinhos Verdes, contudo a sua plantação concentrase próxima da região do Douro, especificamente nas sub-regiões de Baião, Resende e Cinfães.  Aí, encontra as condições favoráveis para se desenvolver, uma vez que prefere solos mais secos e menos férteis do que aqueles que habitualmente existem em outras zonas da região dos Vinhos Verdes. Os cachos da casta Avesso são de tamanho médio e os seus bagos são grandes e verde-amarelados. Esta casta origina vinhos aromáticos, bastante saborosos e harmoniosos.  
 
Quando usado em corte, o vinho da Avesso encontra seus pares mais frequentes nas uvas Arinto, Loureiro e Trajadura. Alguns especialistas afirmam que a melhor expressão da Avesso dá-se em vinhos de corte, quando ela participa com cerca de 50% do total. Os vinhos resultantes da Avesso apresentam cor intensa, palha clara, com reflexos esverdeados. Geralmente aromáticos com um misto entre frutado (laranja e pêssego), amendoado (frutos secos) e floral, sendo o carácter frutado dominante, harmoniosos, e bastante saborosos, principalmente quando as condições de maturação das uvas tiverem tido o tempo suficiente para concentrar os açúcares necessários, permitindo elaborar vinhos com , pelo menos 11%de álcool.
 
Delicado, fino, subtil e complexo, sabor frutado com ligeiro acídulo, fresco, harmonioso, encorpado e persistente. Estas potencialidades de aroma e sabor revelam-se somente alguns meses após a vinificação. Uvas menos maduras, e por isso mais ácidas, por sua vez, são aproveitadas (muito bem aproveitadas, por sinal), na elaboração de espumantes. Os aromas mais comuns nos complexos vinhos produzidos com Avesso são os frutados de laranja e pêssego, com notas de amendoados e também com notas florais.  Costuma ser um vinho encorpado e persistente.

 


 

Azal B

Casta autóctone regional no sudeste do vinho regional Minho.
 
Casta muito vigorosa e produtiva, de comportamento cultural rústico. Atinge o seu nível de qualidade plantada em terrenos secos e bem expostos. É uma casta de ciclo longo, precoce no abrolhamento e tardia na maturação. Casta muito vigorosa, com muitas rebentações do mesmo gomo e de ciclo longo. Com uma fertilidade média, uma  a duas inflorescências por ramo. Os cachos são médios, muito compactos e pesados e revela-se sensível ao míldio, oídio e podridão dos cachos.
 
A casta Azal, permite a elaboração de vinhos de cor ligeira, citrina aberta, descorada; os aromas, cítrico (limão) e frutado (maçã verde) não excessivamente intensos; complexo, fino, agradável e ligeiramente acídulo, com frescura jovem, vinhos que podem em anos excepcionais revelarem-se encorpados e harmoniosos.

 


 

Batoca

 


 

Cercial

Outros nomes: Esgana Cão; Cerceal; Sercial A Cercial, casta cultivada na região da Bairrada, que corresponde à casta aqui descrita. A Cerceal Branca, casta cultivada nas regiões do Douro e do Dão e a Sercial cultivada na região de Bucelas e na Madeira.
 
Casta de porte semi-prostrado. Vigor médio. Sensível à podridão dos cachos; Casta com abrolhamento precoce, floração média e com maturação média a tardia. A casta Cercial tem boa adaptação às características edafo-climáticas da Bairrada. A folha, na fase adulta tem uma tonalidade verde escura típica, com ondulação característica em forma de concha.
 
O mosto oxida rapidamente pelo que se deve ter em atenção a rápida chegada das uvas à adega. Os vinhos apresentam um bom equilíbrio entre o teor de álcool e a acidez, originando vinhos frescos e aromáticos. Os vinhos destas castas apresentam algumas analogias entre si, nomeadamente no que respeita à elevada acidez, aroma discreto e enorme capacidade de envelhecimento.

 


 

Cerceal Branco

 

Porte semi-erecto. Vigor médio. Boa produtividade. Bastante rústica, sendo pouco sensível ao desavinho, à carência hídrica e às doenças criptogâmicas, com abrolhamento precoce, uma floração média. A casta Cerceal Branca tem boa adaptação às diferentes características edafo-climáticas do Norte de Portugal (Beiras e Trás-os-Montes), e é de elevado vigor e produtividade, com fase de maturação média.  
 
O cacho é médio e medianamente compacto e os bagos tem tamanho médio, são uniformes, arredondados, com epiderme verde amarelada e com média pruína. A polpa é mole e suculenta. Trata-se da casta mais produtiva da região, mas é considerada tardia. Apresenta uma produção regular, possui teores medianos de açúcares e acidez elevada.  
 
Esta casta dá origem a vinhos de cor citrina, aroma intenso e delicado a fruta, apresentando muita vivacidade no sabor, fruto de um desequilíbrio ácido que é característico desta casta. Entra geralmente misturada com outras castas conferindo-lhes acidez e aromas característicos. Os vinhos destas castas são algo similares, nomeadamente no que respeita à elevada acidez, aroma discreto e enorme capacidade de envelhecimento. Vinho de cor citrina, aroma frutado, vivo e atraente na boca, com acidez refrescante, levemente encorpado com final harmonioso e equilibrado.

 


 

Chardonnay

Esta casta, apreciada em todo o mundo, nasceu na região da Borgonha, e provém, depois de estudos e análises genéticas, do cruzamento entre Pinot Noir e Gouais branco Chardonnay é uma casta relativamente precoce que receia as geadas da Primavera, nas regiões frias e de tendência continental. A sua maturação é ela também precoce. É uma casta de poda longa em virtude do seu vigor fraco-médio.  No entanto em regiões de clima favorável ao início da floração, pode ser realizada uma poda curta o que vai favorecer a concentração e a qualidade dos vinhos.  
 
Os terrenos mais favoráveis a esta casta são solos mediamente férteis com predominância calcária ou ricos em xistos, que tenham sedimentos calcários mais móveis. Nas zonas mediterrâneas, convém escolher solos com boa capacidade de retenção de água, afim de evitar stress hídrico, que serão prejudiciais. Em solos fracos e com forte teor de calcário, Chardonnay apresenta um aspecto austero, mais metálico por vezes, enquanto em solos mais profundos, se mostra mais redondo, mais rico e mais delicado.
 
Chardonnay Blanc é sensível ao oídio e aos citoplasmas amarelos, por outro lado é menos resistente ao míldio. No fim da maturação e em situação de forte vigor, os danos ligados pela podridão cinzenta podem ser consideráveis.
 
Chardonnay tem um potencial qualitativo muito elevado que permite elaborar vinhos brancos secos, vinhos espumantes e mesmo vinhos licorosos. As quantidades de açúcar dos bagos podem atingir níveis elevados, sempre conservando uma acidez importante. Permite assim a obtenção de vinhos particularmente equilibrados, possantes e largos (com muita gordura e de volume).
 
Os aromas são eles também variáveis consoante a zona de produção; Globalmente mais vegetal/floral e mineral em zonas mais a norte; mais frutado ao sul. É uma casta que tem o dom de expressar todo o seu terroir de produção. Os aromas são típicos, complexos e intensos, sobretudo com uma incrível diversidade: frutos secos, avelãs, amêndoa torrada, frutos exóticos, manteiga, fetos, cal, peras, pipocas, flocos de aveia, flor de acácia, nozes, biscoito...  
 


 

Códega de Larinho

 


 

Diagalves

 


 

Encruzado

É uma casta quase que exclusiva da região do Dão, não tem sinonímia.
 
Casta com abrolhamento médio, uma floração média. Tem uma maturação precoce. De porte prostrado. Vigorosa. Mediana produtividade. Sensível à erinose. Adapta-se bem ao stress hídrico.
 
Casta de elevado valor cultural. Vigorosa e produtiva, muito sensível à presença de vírus relativos a estes critérios. É uma das raríssimas castas que a nível mundial apresentam gavinhas nos entrenós superiores, o que a torna facilmente identificável nas vinhas da região. De maturação média e produção regular. Devido ao seu excelente perfil enológico esta é uma das castas mais notáveis do país e está agora também classificada no sul do país.
 
Em termos enológicos é uma casta difícil, pois ao mínimo descuido oxida e perde os seus aromas delicados.  
 
Quando bem vinificada surpreende pela elegância e complexidade dos seus aromas, onde são perceptíveis algumas notas vegetais de pimento verde, algumas notas florais de rosa e violeta, algumas notas minerais de pederneira e notas frutadas de limão a que se associam, mais tarde, com o envelhecimento, aromas e sabores de avelã, pinhão e resina de pinheiro.  
 
Como grande casta que é, origina vinhos de grande longevidade e capacidade de envelhecimento, que surpreendem pela frescura e persistência na boca.

 


 

Folgasão

 


 

Fernão Pires

Outro nome: MARIA GOMES

É uma casta autóctone portuguesa, conhecida por Maria Gomes na região da Bairrada.
 
Tem um porte prostrado, um vigor médio, boa produtividade. Sensível ao míldio e à podridão cinzenta, menos sensível ao oídio. Devido a abrolhar cedo, é sensível às geadas tardias.
 
É considerada a casta branca mais cultivada em Portugal, estando praticamente representada em todas as regiões vitícolas, no entanto apresenta maior incidência no Ribatejo e Bairrada.  O seu sucesso vem da boa capacidade produtiva, precocidade que lhe permite atingir um elevado teor de açúcar nas uvas e ainda da elevada intensidade aromática.
 
Do ponto de vista enológico é uma casta polémica, adorada por uns, que lhe reconhecem uma grande intensidade aromática que quando bem explorada permite a obtenção de vinhos distintos com boa estrutura e forte personalidade; odiada por outros que referem que devido à sua falta de acidez conduzem a vinhos chatos e sem longevidade, aromas pesados, muito susceptíveis à oxidação.  O carácter mais marcante é sem dúvida a natureza e intensidade de aromas, o que a torna talvez uma das mais aromáticas. Os seus aromas fazem lembrar frutos cítricos doces, como laranja, e flores como mimosa, tília, laranjeira e loureiro.
 
Do ponto de vista enológico, é uma casta polémica, adorada por uns, que lhe reconhecem uma grande intensidade aromática que, quando bem explorada, permite a obtenção de vinhos distintos, com boa estrutura e forte personalidade; odiada por outros que referem que, devido à sua falta de acidez, conduz a vinhos chatos e sem longevidade, aromas pesados, muito susceptíveis à oxidação. 

 


 

Fonte Cal

A casta Fonte Cal é uma casta que só existe actualmente na Beira Interior, nos encepamentos mais antigos sobretudo nas sub-regiões de Pinhel e Castelo Rodrigo, onde as suas qualidades se evidenciam de forma mais explícita.  
 
Cacho médio, cónico, compacto; pedúnculo de comprimento médio.  Bago elíptico-curto, médio e verde amarelado; película de espessura média, polpa mole, sarmento acastanhado.  É uma casta medianamente produtiva, de maturação tardia e grande vigor vegetativo, apresentando cachos médios e muito compactos, com bagos verde-amarelados, proporcionando vinhos de graduações alcoólicas elevadas.  
 
Bom potencial alcoólico, com capacidade para produzir cerca de mais 0,5º do que a ‘Fernão Pires’. A acidez é equilibrada, pois embora tenha bom potencial alcoólico, tem capacidade para produzir cerca de mais 0,6g/L de ácido tartárico do que a ‘Fernão Pires’.
 
Nos raros vinhos estremes produzidos a partir da casta, dominam os aromas florais e frutados, permitindo a composição de vinhos estruturados e densos, mas que, têm, no entanto, algum défice de acidez. Por isso, a casta Fonte Cal é utilizada maioritariamente como casta de lote, em conjunto com a Síria e o Arinto. 

 


 

Galego Dourado

 


 

Gouveio


 
A casta Gouveio tem a sua maior expansão em Trás-os-Montes.  
 
Porte semi-erecto, vigor médio e com produtividade média. Sensível ao desavinho e à podridão. Medianamente sensível ao míldio e ao oídio.  Alguma sensibilidade à carência de magnésio. Pouco sensível ao stress hídrico. É uma casta cuja época de maturação é média; de fácil condução, é flexível quanto aos solos e clima, adaptando-se bem aos porta-enxertos habituais.
 
É uma casta utilizada apenas no interior do país, basicamente no Douro e no Dão, com algumas plantações no Alentejo. A casta, especialmente com plantas de material certificado, é de boa produtividade e vigor, tem cachos e bagos de tamanho médio. A casta tem boa tolerância aos fungos de podridão e boa afinidade com os porta-enxertos de descendência “Rupestris”.
 
A casta Gouveio é cultivada na região do Douro, onde é também conhecida por Verdelho, por isso é muitas vezes confundida com a casta Verdelho cultivada nos Açores e Madeira.  É uma casta com bom amadurecimento e de boa produção. Apresenta cachos médios e compactos que produzem uvas pequenas de cor verde-amarelada.  Casta de grande valor enológico na história, conhecida com outra denominação.  
 
Os vinhos produzidos com a casta Gouveio apresentam um excelente equilíbrio entre acidez e açúcar, caracterizando-se pela sua elevada graduação alcoólica, boa estrutura e aromas frutados e intensos. Além disso, são vinhos que possuem excelentes condições para uma evolução em garrafa, dando nessa altura origem a vinhos com um certo corpo, cor amarelopalha e frescura admirável, com muita finura e elegância.  O seu perfil aromático também é muito personalizado e intenso, reconhecendo-lhe notas de frutos tropicais, camomila, feno e flores secas. Na boca, para além do grande equilíbrio entre o álcool e a acidez é de grande estrutura, apresenta um ligeiro toque amargo, próprio da casta, que lhe confere exotismo e identidade, mas sem o prejudicar.

 


 

Loureiro


 
Casta branca considerada como indígena da região dos Vinhos Verdes e da Galiza provavelmente autóctone, apresenta-se com maior expansão na IGP Minho, embora também seja cultivada nas IGP Beiras e Península de Setúbal.
 
Casta de expansão em quase toda a região, e como mais adaptada às zonas do litoral é menos cultivada nas zonas interiores. O principal sinónimo 'Dourado' advém-lhe do tom dourado das uvas maduras expostas ao sol.     Com abrolhamento médio, floração e maturação médias.
 
É uma casta de maturação precoce que prefere solos profundos e de média fertilidade, necessitando de protecção do vento embora se dê bem com a humidade no ar; é uma casta de vigor médio, que se adapta a todas as formas de condução, apresentando média/boa afinidade com a maioria dos porta-enxertos tradicionais.
 
Com um índice de fertilidade elevado, duas inflorescências por lançamento, dá cachos compridos, medianamente compactos e pesados o que a torna muito produtiva. É muito sensível ao oídio, à escoriose, à podridão dos cachos e aos ácaros e sensível ao míldio.     
 
Casta antiga e de alta qualidade, produz mostos com aroma acentuado e característico da casta, dando vinhos de tonalidade citrina de cor fraca, aroma fino, elegante, que vai do frutado de citrinos (limão) ao floral (frésia, rosa) e melado (bouquet) e sabor frutado, com ligeiro acídulo, fresco, harmonioso, encorpado e persistente.
 
Utilizada em vinhos brancos de lote, com a maior parte das restantes castas brancas regionais, e na elaboração de vinhos elementares de excelente qualidade.           
 
 


 

Malvasia Fina
Outros Nomes: Boal Branco; Boal; Assario Branco; Arinto Galego


 
A Malvasia Fina está presente no interior norte de Portugal, sobretudo no Douro, Dão e Beira Interior, comparecendo igualmente na sub-região de Távora-Varosa e Lisboa.  
 
Contudo, é também cultivada na zona de Portalegre (onde se denomina Arinto Galego). No Dão onde é conhecida por Assario Branco e na Madeira (onde adquire o nome de Boal).
 
A Malvasia Fina é uma casta que não tolera temperaturas muito altas, sendo então necessário estudar a época ideal para realizar a vindima de modo a evitar a deterioração dos bagos.  
 
A Malvasia Fina produz vinhos de acidez moderada e de aromas e sabores delicados e pouco complexos. Esta casta é de produção regular, caracterizada por cachos e bagos de tamanho médio. É particularmente sensível ao oídio e moderadamente à podridão, míldio e desavinho, proporcionando rendimentos extremamente variáveis e inconsistentes.  
 
Os vinhos anunciam, por regra, sintomas melados, no nariz e boca, vagas notas de cera e nozmoscada, aliados a sensações fumadas, mesmo quando o vinho não sofre qualquer estágio em madeira. Os vinhos de Malvasia Fina são tradicionalmente discretos, pouco intensos, razoavelmente frescos e medianamente complexos.  
 
É uma casta de lote que, nas regiões mais frescas e quando vindimada cedo, funciona como base de espumantização, com provas dadas nas regiões de Távora-Varosa e Lamego.

 


 

Malvasia Rei

 


 

Moscatel
Outros nomes: Moscatel Galego; Moscatel de Setúbal


 
A casta Moscatel é originária do Médio Oriente, mais propriamente do Egipto. Sabe-se que esta casta é originária do Egipto, tendo-se expandindo pelo Mediterrâneo a partir de Alexandria, possivelmente na época do Império Romano e terá sido nessa época introduzida em terras nacionais. Sofreu muitas transformações ao longo dos séculos e hoje, existem três variedades da casta Moscatel em Portugal.  
 
A variedade Moscatel de Setúbal é a mais plantada em Portugal, e a sua produção concentrase na Península de Setúbal, cujo clima ameno permite a maturação ideal dos bagos.   
 
Cepa de vigor médio. Tem uma floração e fecundação difíceis, sendo propensa ao desavinho. Resistente à secura, é sensível ao míldio e ao oídio. Há variedades de Moscatel no mundo, todas elas com uma importante concentração de compostos (terpénicos) aromáticos, no entanto, é a casta Moscatel de Setúbal que apresenta maior concentração e riqueza desses compostos aromáticos. Os aromas típicos são bem conhecidos: casca e flor de citrinos, mel, tília, rosa, líchias, pera, tâmaras e passa de uva. Proporciona vinhos memoráveis.
 
Esta casta é imprescindível na elaboração do vinho generoso "Moscatel de Setúbal", contudo também é utilizada para enriquecer aromaticamente outros vinhos brancos da região, uma vez que é uma casta primária (marca o paladar e aroma dos vinhos). Na região do Douro, na zona de Favaios e Alijó, é cultivada a variedade branca Moscatel Galego utilizada na produção de um vinho licoroso. O vinho tem aromas clássicos (uva Moscatel) de elevada qualidade, que permitem distingui-lo facilmente, mesmo em lote com outras castas brancas. O sabor é muito intenso, com boa acidez, podendo tornar-se muito enjoativo se muito alcoólico.

 


 

Moscatel Graúdo

 


 

Rabo-de-Ovelha


 
Dos dados obtidos, indicam esta castas como progenitora da casta ‘Cayetana’, cultivada principalmente na Extremadura espanhola, próximo da fronteira portuguesa. A identificação desta progenitura reforça a possível origem alentejana desta casta Rabo de Ovelha.  
 
Com um porte semi-erecto, tem um vigor elevado, abrolhamento e floração médias; é uma casta bastante produtiva, sensível à escoriose, ao oídio e à botrytis. Muito boa resistência ao desavinho
 
A casta Rabo de Ovelha é cultivada na região do Douro, especialmente na zona do Douro Superior. É plantada em pequenas quantidades na região dos Vinhos Verdes sob o nome de Rabigato e nas zonas vitícolas do sul do país (Estremadura, Ribatejo e Alentejo) onde é mais divulgada.  
 
Os vinhos, de tons cítricos ligeiros, são medianamente aromáticos. Ao sabor são macios, levemente acídulos com algum frutado (Laureano, 1999).O vinho elaborado a partir desta casta é mais utilizado para produzir vinhos de lote.  As principais qualidades da casta Rabo de Ovelha nos vinhos são o alto teor alcoólico, boa longevidade e elevada acidez. Os vinhos que incluem esta casta na sua composição apresentam aromas discretos, com notas florais, vegetais e até minerais.

 


 

Riesling B

 


 

Sauvignon Blanc


O Sauvignon é uma cepa atlântica originária do Oeste da França. Ninguém sabe com exactidão onde nasceu se nas orlas do Loire ou nas margens do rio Garona. O que é certo é que mais tarde foi cruzada foi cruzada com o Cabernet Franc para dar origem ao Cabernet-Sauvignon.  
 
O Sauvignon é uma casta relativamente tardia.  É uma casta muito vigorosa e com tendência a irromper em vegetação. Torna-se por isso necessário controlar o vigo da casta implantando-a em terrenos com pouca ou mediana fertilidade, utilizando porta-enxertos menos produtivos e fazendo uma poda adequada, podendo ser mesmo forte nos primeiros anos.  Um embardamento bem feito, permitirá obter um micro-clima favorável para uma boa maturação dos cachos. Os aromas varietais do Sauvignon, sobretudo presentes nos vinhos dos primeiros anos, são bastante específicos e podem apresentar de acordo com, o terroir, das condições de cultura do ano, nuances de flor de giesta, rebentos de groselha. Notar-se-ão também notas frequentes de citrinos-limão, toranjas de notas florais de jasmim e narcisos. Alguns terrenos calcários conferem-lhe notas minerais de flint
 
Com a casta Sauvignon obtêm-se vinhos brancos secos e muito elegantes, vivos equilibrados e tipificados que são apreciados pela sua juventude. Com os últimos desenvolvimentos do potencial aromático do Sauvignon, permite hoje em dia, através de uma maceração pelicular, elaborar vinhos com gostos mais vegetais e caracterizados por um muito bom equilíbrio entre a nervosidade, untuosidade e poder aromático. Em vindimas tardias ou na presença de podridão nobre, o Sauvignon pode participar também na elaboração de vinhos licorosos.

 


 

Síria ou Roupeiro


 
É uma das castas brancas mais encepadas no nosso território, estando presente nas regiões do Douro, Dão, Beira Interior, Alentejo e Algarve.  Em Figueira de Castelo Rodrigo o seu cultivo tem dado bons resultados, o que permitiu à adega local a produção de um dos melhores brancos varietais das Beiras, comprovando que é nas zonas altas que se consegue o melhor produto final desta casta.  
 
A Síria resulta em vinhos geralmente frutados, delicados, equilibrados, com razoável graduação e ligeira acidez. A cor é citrina e pouco intensa, enquanto no aroma sobressaem uma variedade de aromas que passam pelos frutos tropicais pouco maduros e pelos citrinos. A casta é geralmente loteada com Arinto, Antão Vaz, Sercial, Rabigato e Cercial Branca.     
 
A resistência às doenças mais comuns e o fácil cultivo da Síria são as razões mais prováveis para a sua expansão pelas várias regiões portuguesas.  É uma variedade muito produtiva, pouco sensível ao oídio e ao míldio. Pode ser também muito atreita à podridão e apresentar um ciclo curto de maturação. Por essa razão, recomenda-se a sua plantação num clima quente a moderado, sem grande período de chuvas em Setembro. Os cachos são medianos, com formato cónico, compacto e bagos ligeiramente elípticos de cor verde-amarelada, película medianamente espessa e polpa de consistência média. A origem da Síria não é consensual. Uns apontam Pinhel como o local do seu surgimento, enquanto outros referem o Alentejo.  No entanto, a evolução genética da planta indica que a mesma existe há mais tempo no Dão, região de onde terá migrado para outros locais, seguindo um percurso de norte para sul.  
 
Em Portugal, esta casta é também conhecida por «Roupeiro», «Crato Branco», «Alva», «Malvasia», «Posto Branco» (no Douro), «Côdega» e «Alvadurão do Dão», enquanto em Espanha é cultivada na região de Valladolid onde tem o nome de «Dona Blanca».

 


 

Terrantez (Folgasão/Donzelinho)


 
A casta Terrantez é originária do Dão, onde é conhecida como Folgasão.  É também cultivada nos Açores, Terrantez da Terceira, Terrantez do Pico e historicamente o Terrantez da Madeira, que é o Folgasão, onde é considerada uma casta nobre para a produção de vinho generoso.
 
A Terrantez é uma casta rara e, neste momento, encontra-se quase extinta. Uma das razões para a sua extinção é a grande tendência que a Terrantez tem para a podridão (muitas vezes não resiste até à época da vindima).  Os cachos da Terrantez são pequenos, compactos e constituídos por bagos pequenos, não uniformes, arredondados e com secção transversal regular. Epiderme verde amarelada com fraca pruína. Película fina e hilo aparente. Polpa não corada, mole, suculenta e de sabor especial. Pedicelo médio e de difícil separação.
 
Os vinhos produzidos pela Terrantez são bastante perfumados, encorpados e de sabor persistente. Vinhos de cor citrina, frutados, frescos, vivos e com riqueza ácida. Por ser das castas que apresentam, normalmente, baixas graduações alcoólicas, origina geralmente vinhos com um certo desequilíbrio ácido. É utilizada quase sempre misturada com outras castas.

 


 

Rabigato


 
Apesar de ser cultivada em várias regiões, e autorizada em muitas denominações de origem portuguesas, a Rabigato ganha especial destaque no Douro, Porto e Trás-os-Montes.
 
De origem duriense, a casta Rabigato estende-se por todo o Douro Superior. Por erro, no passado foi relacionada com a casta Rabo de Ovelha, variedade com a qual não aparenta qualquer semelhança. Rabo de Ovelha que, de forma igualmente errónea, perfilhou a designação Rabigato na região do Vinho Verde, com a qual não tem qualquer relação.  
 
Apresenta bagos pequenos, verde amarelados, que se juntam em cachos de tamanho médio. A Rabigato prefere solos secos e climas moderados. É uma variedade que amadurece precocemente, e que apresenta vigor e produtividade medianos.
 
Rabigato produz vinhos de excelente acidez, viva e equilibrada, com boas graduações alcoólicas, sem falar na marcante mineralidade, logo da sua frescura e estrutura. Devido a esta sua pronunciada acidez, a Rabigato costuma ser bastante utilizada em vinhos de corte, ao lado de outras variedades que não tenham essa mesma vantagem.
 
Poderá, nas melhores localizações, ser vinificada em estreme, oferecendo notas aromáticas de acácia e flor de laranjeira, com toques vegetais e, tradicionalmente, uma mineralidade atrevida.  São vinhos equilibrados, frescos, de boa estrutura e de boa graduação alcoólica. Por isso tudo, considerados, então, promissores! Além disso, apresentam também uma boa capacidade de envelhecimento. É a boca, porém, que justifica a sua reputação, com uma acidez mordaz e penetrante, capaz de rejuvenescer os brancos do Douro Superior.

 

 


 

Trajadura

 


 

Verdejo

 


 

Verdelho

 


 

Viosinho

 


 

Seara Nova

Origem: Foi obtida por cruzamento de Dialgaves e Fernão Pires em 1951 por J. Leão Ferreira de Almeida, na Estação Agronómica Nacional. Características Gerais: Casta produtiva, de abrolhamento serôdio.  Produz vinhos com médio e elevado valor alcoólico o com acidez fixa média; Aroma frutado, com certa distinção e ligeira complexidade. Sabor denotando certa frescura, equilíbrio e alguma persistência. 

 


 

Viognier


 
Em França, a casta Viognier B, está oficialmente inscrita no “Catalogo das Variedades para Vinha”. Esta variedade está igualmente inscrita nos Catálogos de outros países membros da União Europeia; Áustria, Espanha, Grécia, Malta, Itália e Portugal.
 
Esta variedade(cepa) tem de ser geralmente tutorada (Por vezes é um pouco sensível ao vento), conduzida em poda moderada, com uma densidade de plantação bastante elevada. Cultivada tradicionalmente em terremos ácidos, mostra-se bem adaptada em zonas meridionais em solos suficientemente profundos (mas pouco férteis) para evitar os riscos de seca. O seu abrolhamento precoce expõe-na às geadas da primavera. A Viognier, não apresenta sensibilidade particular às doenças. Não é muito sensível À podridão cinzenta. Os cachos e as bagas são pequenos.  
 
Pelas suas características varietais, permite em condições favoráveis, elaborar vinhos muito aromáticos (alperce, pêssego, ...), complexos, generoso e de grande qualidade. Dá vinhos calorosos (com potencial de acumulação de açúcares elevada), gordoroso, mas com falta de um pouco de acidez e apresentando por vezes uma ligeira amargor. Pode também ser usado para a elaboração de vinhos macios, espumantes ou ainda serem associados (5,10% e por vezes mais)com outras uvas (em particular coma Syrah) para obter vinhos tintos aos quais aporta delicadeza e aromas.

 


 

Samarrinho (Budelho)

Casta branca, autóctone do Douro. Produz vinhos marcados pela elegância, frescura e mineralidade… Aroma cítrico, com notas de mel, leve resina e fruta branca. Na boca não é tão expressivo, apresenta boa harmonia, cheio, com acidez média, muito fresco.

 


 

Vital

Casta branca autóctone, é especialmente cultivada nas áreas das IGP Lisboa, Tejo, Península de Setúbal, Beiras e Transmontano.  
 
É uma casta de vigor médio a forte, bastante interessante para e que se adapta bem aos portaenxertos habituais; resistente ao vento, dá-se bem nas zonas de influência marítima embora seja sensível ao oídio e prefere solos profundos e férteis e de exposição a Norte (para evitar o escaldão). Desde que as uvas sejam colhidas a temperaturas inferiores a 25º, apresenta boa aptidão para a vindima mecânica. Casta vigorosa, mostrando-se fértil mesmo podada em talão. Sensível à podridão, principalmente quando instalada em terrenos de aluvião. O bago tende a engelhar com a carência hídrica, não chegando, por vezes, a atingir a plena maturação.
 
Particularmente apta para vinhos leves e jovens, revela aptidão para vinhos de lote de qualidade (com castas de melhor estrutura como ao Arinto e Sercial), originando vinhos com uma graduação média, frutados, equilibrados e delicados, enquanto jovens; o armazenamento destes vinhos em barricas leva a uma melhoria do envelhecimento. Produz vinhos com um teor alcoólico relativamente elevado, equilibrados e harmoniosos. Sinonímia: «Boal Bonifácio» na generalidade do Oeste e «Malvasia Corada» no Douro e Dão.

 


 

Galego Dourado
 
Casta com pouca expressão na região onde está classificada, mas que não pode ser omitida dada a sua posição de destaque na produção do Vinho de Carcavelos, um dos vinhos com tanto de prestígio como de exiguidade de produção.  
 
É uma casta de vigor médio, porte erecto, com cacho de tamanho médio, medianamente compacto e bagos arredondados de dimensão média e película medianamente espessa, com maturação temporã.  
 
Apresenta-se sensível ao desavinho e é exigente em tratamentos fitossanitários dada a susceptibilidade ao míldio, oídio e podridão. È uma casta que produz vinhos com elevado teor alcoólico, redondos e aromáticos.

 


 

 Castas e Clones de Uvas de Mesa VCR

 


 

Alfonso Lavallée

Foi obtido no século passado em França por uma trabalhadora de viveiro pelo cruzamneto entre o Bellino x Lady Downes Seedling. Também conheido com o nome de Ribier, especialmente na Califórnia.

Características ampelográficas: pâmpano de ápice expandido, um pouco tormentoso, verde-esbranquiçado com margens avermelhadas, folhas apicais um pouco dobradas, de cor verde clara com um ligeiro tormento. Folha média-grande, pentagonal, tripentalobulada, margem de cor verde opaca, ligeiramente bolhosa, espessa. Seio peciolar com base em U-V pouco aberto u fechado. Cacho médio-grande, cilíndrico-cónico, asado e solto. Bago médio-grande, bastante esfério de cor azul escura uniforme; película com muita pruína e bastante consistente; polpa ligeiramente crocante e sucosa de sabor simples, doce e agradável.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média.

Época de maturação: média-tardia.

Vigor: bom.

Fertilidade real: 1.50 Produção: elevada.

Peso cacho: 400-500 g.

Peso bago: 7-9 g.

Sementes: 3,1 por bago.

Teor de açúcar: 13-14%.

Acidez total: 5%.

PH: 3.35.

Resistência ao transporte: elevada.

Formação e poda: adapta-se a diversas tipologias, sempre que sejam expandidas, preferindo a parreira, a pérgula, a espaldira ou o cordão.

Sensibilidade às doenças e adversidades: sensível ao oídio e escoriose, sensibilidade normal a outras doenças e parasitas. Apresenta fenómenos de incompatibilidade com Kober 5BB.

Avaliação qualitativa: boa resistência ao transporte e resistência aceitável à conservação. É aceite em mercados nacionais e estrangeiros pela sua cor uniforme, polpa crocante e cacho de dimensões reduzidas. A presença dum número elevado de sementes não permite uma avaliação mais elevada por parte do consumidor.

Clones em multiplicação: Alfonso Lavallé Inra-Entav 31.

 


 

Black Magic

Trata-se de uma casta obtida na Moldávia pelo Instituto de Viticultura de Chisinau e gerida exclusivamente pela Vivai Cooperativi Rauscedo como os únicos titulares de licença.

Características ampelográficas: pâmpano de ápice expandido de cor verde pálida, tendente a cor-de-rosa. Folha média-grande, pentagonal, pentalobulada, seios laterais superiores fechados, seios inferiores em lira. Seio peciolar aberto; página superior de cor verde intensa, página inferior glabra de cor verde média. Pedúnculo de grossura média bastante longo, de cor  verde com fortes tons bordô até ao início das nervuras. Cacho médio-grande, de forma cónico-piramidal, por vezes alado, solto com pedúnculo grande, médio-longo, herbáceo e semi-lenhoso.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: precoce.

Época de maturação: precoce. 

Vigor: médio.

Fertilidade real: 1,19.

Produção: boa.

Peso cacho: 400-500g.

Peso bago: 5-6 g.

Sementes: 2-3 por bago.

Teor de açúcar: 17,4%.

Acidez total: 5,2%

pH: 3,60.

Resistência ao transporte: baixa.

Formação e poda: cepa de vigor médio e boa fertilidade basal, pelo que pode ser formada em parreira e cordão esporonado.

Sensibilidade às doenças e adversidades: sensível ao desavinho e oo desenvolvimento anómalo do cacho, sobretudo em primaveras frias ou chuvosas e solos demasiado fertéis. Ótima resistência à peronóspora, botrytis e oídio.

Avaliação qualitativa: ótima casta relativamente à precocidade, características organolépticas e aspecto estético. Interessante para as produções destinadas a mercados nacionais. Os aspectos negativos referem-se à fácil separação da raquis dos bagos e, portanto, à baixa resistência ao transporte.

Clones de próxima apresentação para homologação: Black Magic VCR 135, VCR 136, VCR 137, VCR 377.

 


 

Cardinal

Obtida no ano de 1939 por E. Snyder e F. Harmon nos Estados Unidos da América, na estação Horticoltural FieldStation de Fresno, Califórnia, mediante o cruzamento de Regina Vigneti e Alphonse Lavallée.

 

Características ampelográficas: pâmpano de ápice expandido, glabro e de cor verde-amarelenta, folhas apicais desdobradas, verdes com tons castanhos e translúcidas. Folha média, pentagonal e alongada, tripentalobulada, margem lisa, ondulada e glabra. Seio peciolar com base em U.

Página inferior glabra. Cacho bastante grande, cilindrico-cónico, alongado, solto e, por vezes, alacor vermelha-purpúrea não muito uniforme; polpa crocante, doce, agradável e de sabor neutro.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média-precoce.

Época de maturação: média-precoce.

Vigor: bom.

Fertilidade real: 1,5.

Produção: média-elevada.

Peso cacho: 500-600 g.

Peso bago: 7-9 g.

Sementes: 2-3 por bago.

Teor de açúcar: 15-16%

Acidez total: 5,6%.

pH: 3,40

Resistência ao transporte: aceitável.

Formação e poda: adapta-se tanto à parreira, como ao cordão esporonado. É necessário realizar podas verdes adequadas, eliminar garfos e desfolhar para obter uma cor mais uniforme.

Sensibilidade às doenças e adversidades: sensível ao mílldio e escoriose.

Avaliação qualitativa: as suas boas características tornam-na numa das melhores uvas pretas.

Baixa resistência ao transporte; é recolhida imediatamente depois da maturação. Devem evitar-se regas excessivas, para não romper os bagos.

Clones em multiplicação: Cardinal ISV-VCR 24, ISV-VCR 26. Os clones foram selecionados em colaboração com o Instituto Experimental para a Viticultura de Conegliano Veneto (TV).

O Cardinal ISV-VCR 24 apresenta uma ligeira antecipação na maturação e um grau de açúcares ligeiramente superior à média, enquanto o Cardinal ISV-VCR 26 se situa na média populacional.

Outros clones em multiplicação: Inra-Entav 80.

 


 

Crimson Seedless

Casta obtida em USDA-FRESNO na Califórnia, mediante cruzamento entre Emperor com C33-199.

 

Características ampelográficas: ápice de cor verde com margens castanhas ou cor-de-rosa, glabra.

Folha média, heptalobulada, glabra de cor verde clara brilhante. Seio peciolar em lira fechada com margens superpostas. Página inferior glabra. Cacho médio, piramidal com bagos bem separados. Bago médio-pequeno, oval, ligeiramente resistente de cor vermelha purpúrea com polpa crocante e sabor neutro.

 

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média.

Época de maturação: tardia.

Vigor: elevado.

Fertilidade real: 0,96.

Produção: limitada.

Peso cacho: 400-500 g.

Peso bago: 4-5 g.

Sementes: ausentes.

Teor açúcar: 17,5%

Acidez total: 6,10%

pH: 3,5.

Resistência ao transporte: elevada.

 

Formação e poda: cepa muito vigorosa; requer formas expandidas e podas longas; ótima para os ambientes quentes. Requer desfolhação para uma melhor iluminação e, assim, uma melhor coloração dos cachos que, por vezes é deficiente.

Sensibilidade às doenças e adversidades: dentro da norma.

Avaliação complexa: cacho com aspeto completamente apireno. Encontra as melhores condições de cultivo em solos pobres. As incisões anulares permitem obter um importante incremento do peso dos bagos e um índice de separação mais elevado, mas ao mesmo tempo provocam um atraso da maturação. Recomenda-se recolher em diferentes épocas para obter uma cor mais uniforme.

 


 

Danuta

Casta de uva de mesa sem sementes obtida no ano de 1964 pelo INRA, mediante o cruzamento de Dattier de Beyrouth e Sultana Moscata

Características ampelográficas: pâmpano de ápice com pouca vilosidade com folhas jovens bronzeadas. Folha adulta orbicular de cinco ou sete lóbulos e seio peciolar pouco aberto com base em U, espesso delimitado por nervuras. As nervuras apresentam uma fraca pigmentação vermelha. A página inferior é glabra ou quase glabra. O cacho é grande, semi-solto e piramidal. Os bagos são apirenos de dimensões médias e com película pouco espessa e polpa de sabor simples.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: precoce.

Época de maturação: média

Vigor: médio.

Fertilidade real: boa.

Peso cacho: 610 g.

Peso bago: 3,5 g por vezes.

Sementes: ausentes ou resíduos herbáceos das sementes.

Teor de açúcar: 16,5%

pH: 3,20

Resistência ao transporte: média

Formação e poda: para melhorar o aspeto qualitativo é necessário realizar podas verdes, limpezas dos cachos e eliminação de netos. O uso de incisão anular e a aplicação de ácidos giberélicos podem melhorar as dimensões dos bagos e a apresentação.

Sensibilidade às doenças e adversidades: sensível ao desavinho e à ruptura dos bagos.

Avaliação qualitativa: é uma casta interessante pela ausência total de sementes e a sua boa resistência ao transporte.

 


 

Itália

No início foi apreciada e teria sido eliminada caso não se tivesse atrasado o seu completo abandono. De facto, depois de ter sido descoberto o seu comportamento em diversos ambientes, foi fácil apreciar as indiscutíveis qualidade da cepa que produz a uva preferida pelos consumidores de todo o mundo. Em França é conhecida com o nome de Ideal.

 

Características ampelográficas: pâmpano de ápice expandido, cotarilhoso, verde-esbranquiçado com tons de cor-de-rosa/purpúreos. Folha bastante grande, pentalobulada, pentagonal, margem de cor verde escura. Ligeiramente ondulada, lisa, glabra, com um leve tomento na página inferior. Seio peciollar com base em U ou em V fechado ou pouco aberto. Cacho grande, cónico-piramidal, alado com usa ou duas alas, solto. Bago grande, ovóide; casca com muita pruína bastante espessa e consistente numa bela cor amarela dourada; polpa crocante e sucosa com um ligeiro e delicado aroma a moscatel.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média-precoce.

Época de maturação: média-tardia.

Vigor: elevado.

Fertilidade real: 1.20.

Produção: elevada.

Peso cacho: 700-800 g.

Peso bago: 8-10 g.

Sementes: 1-2 bago.

Teor de açúcar: 15-16%.

Acidez total: 4-5%.

pH: 3.50

Resistência ao transporte: ótima.

Formação e poda: os melhores resultados quantitativos e qualitativos são obtidos mediante formação em parreira. A gestão em verde deve ser muito prudente e realiza-se adequadamente com podas, eliminação de netos e desfolhação.

Sensibilidade às doenças e adversidades: dentro da norma; sensível à doença do lenho rugoso. Apresenta fenómenos de incompatibilidade com 140Ru.

Resistência ao transporte: ótima.

Avaliação qualitativa: trata-se de uma cepa que adotou muitos elementos da sua progenitora Bicane, muito vigorosa com cachos grandes e belo aspeto, no entanto, tem poucos caracteres do seu progenitor Moscatel Hamburgo, para além do aroma a Moscatel. Muito adequada para transportes de longa distância e muito apreciada por todos, pelo que se tornou a rainha dos mercados.

Clones em multiplicação:

Itália VCR 5: clone de elevada produtividade de cacho rande, piramidal, semi-compacto, pelo qual é menos sensível à botrytis.

Itália VCR 10: clone produtivo, de obm vigor; cacho médio, menos compacto que a média varietal; ligeiramente mais precoce.

Outros clones em multiplicação: Inra-Entav 307, 918.

 


 

Matilde

Obtida pelo Prof. Manzo no ano de 1962 no Instituto Experimental para a Fruticultura de Roma, mediante cruzamento entre Itália x Cardinal.

 

Características ampelográficas: pâmpano de ápice expandido, verde, glabro, folhas apicais, desdobradas de cor verde forte com tons bronzeados. Folha média, pentagonal, alongada com lóbulos visíveis, margem lisa, um pouco ondulada, glabra. Seio peciolar em lira aberta. Cacho médio-grande, cilíndrico-cónico, frequentemente alongado, alado e solto. Bago bastante grande, ovóide; polpa dura de sabor, ligeiramente aromática. Casca relativamente subtil, resistente, de cor amarela.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média-precoce.

Época de maturação: média.

Vigor: bom.

Fertilidade real: 1,80.

Produção: média-elevada.

Peso cacho: 600-800 g.

Peso bago: 6-7 g.

Sementes: 2 por bago.

Teor de açúcar: 14-15%.

Acidez total: 4-5%.

pH: 3.40.

Resistência ao transporte: ótima.

Formação e poda: prefere formas expandidas e podas médias.

Sensibilidade às doenças e adversidades: sensibilidade normal às doenças; durante primaveras frias e húmidas e em solos férteis pode sofrer o desavinho e queda da flor. Avaliação qualitativa: ótima pela sua precocidade, pelo aspeto do cacho e pelo fino aroma a moscatel.

Clones em multiplicação: Matilde VCR 15: clone selecionado pela sua elevada fertilidade, a ausência do desavinho e a sua ótima produtividade. A película consistente e o alto índice de separação aumentam a sua resistência ao transporte e a conservação no frigorífico.

 


 

Michele Palieri

Obtido por M. Palieri em Velletri, mediante cruzamente entre Alfonso LAvallée x Red Málaga

Características ameplográficas: pâmpano de ápice expandido, glabro de cor verde inteensa, folhas apicais um pouco dobradas, verdes com tons bronzeados, translúcidos. Folha grande, pentalobulada-arredondada, margem lisa plana e glabra. Seio peciolar com base em U com margens sobrepostas. Página inferior ligeiramente glabra. Cacho grande, cilíndrico-piramidal, alado, bastante solto. Bago grande, oval e ovóide, ligeiramente resistente; película com muita pruína de cor preta purpúrea; pola dura de sabor doce, neutra.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média-tardia.

Época de maturação: média-tardia.

Vigor: elevado.

Fertilidade real: 1.00.

Produção: média-elevada.

Peso cacho: 600-800g.

Peso bago: 9-10g.

Sementes: 2 por bago.

Teor de açúcar: 14-15%

Acidez total: 6%

pH: 3.5.

Resistência ao transporte: elevada.

Formação e poda: exige formas expandidas tipo parreira, pérgula ou lira. São indispensáveis e prudentes operação em verde mediante poda, desfolhação e eliminação de netos para uniformizar a coloração do cacho e formar a acumulação de açúcar.

Sensibilidade às doenças e adversidades: dentro da norma. Apresenta uma evidente incompatibilidade com os porta-enxertos 140Ru, 779 P e Kober 5 BB.

Avaliação qualitativa: cacho de bom aspecto, especialmente pela sua cor preta purpúrea; encontrou um bom acolhimento nos mercados. Suporta bem o transporte.

Clones de próxima apresentação para homologação: Michele Palieri VCR 453

 


 

Moldova

Cepa inter-específica obtida por Yoravely no Instituto de Viticultura de Chisinau, Moldávia, mediante o cruzamento entre Seyvre-Vilard 12-375 e Guylj Kara. É gerida exclusivamente pela Vivai Cooperativi Rauscedo como únicos titulares da licença.

Características ameplográficas: pâmpano de ápice verde pálido. Folha de dimensões médias, seio peciolar com base em U. Página inferior não muito lisa, quase glabra, verde. página inferior aracnóide. Cacho médio-grande, de forma cónica-piramidal, por vezes alado. Bago médio-grande ovóide, alongado de cor-purpúrea escura uniforme; polpa crocante de sabor neutro.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média-tardia.

Época de maturação: média-tardia.

Vigor: elevado.

Fertilidade real: 1.2.

Produção: elevada e constante.

Peso cacho: 400-600g.

Peso bago: 5-6g.

Sementes: 1-2 por bago.

Teor de açúcar: %

Acidez total: 9%

pH: 3.79.

Resistência ao transporte: elevada.

Formação e poda: adapta-se a várias formas de poda, preferindo as formas expandidas.

Sensibilidade às doenças e adversidades: ótima resistência ao míldio, oídio e botrytis Resiste ao frio do Inverno.

Avaliação qualitativa: casta interessante pela sua resistência ao míldio, a sua elevada resistência ao transporte e as características estéticas e organolépicas do produto.

 


 

Moscatel Hamburgo

Cepa de origem desconhecida, provavelmente derivada de um cruzamento entre Mosctal de Alexandria x Frankenthal N, difundida na Grécia, Itália, França e nos países de Leste da Europa.

Características ameplográficas: pâmpano de uma elevada densidade de pêlos prostrados. Folha trilobulada ou pentalobulada com seio peciolar aberto e dentes médios-grandes. Não apresenta pigmentação antociânica nas nervuras. A página inferior apresenta uma baixa densidade dos pelos eretos e prostrados. Cacho médio. Bago de forma elíptica e sabor delicadamente a moscatel com película fina.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média-precoce.

Época de maturação: média.

Vigor: médio-elevado.

Fertilidade real: 0.9.

Produção: boa.

Peso cacho: 300-400g.

Peso bago: 5-6g.

Sementes: 1.4 por bago.

Teor de açúcar: 16-18%

Acidez total: 5.50%

pH: 3.40.

Resistência ao transporte: aceitável.

Formação e poda: cepa de porte semi-rastejante, pelo qual se deve prestar uma especial atenção nas podas e podas verdes. Prefere solos ligeiramente férteis e formas em espaldeira ou pérgula.

Sensibilidade às doenças e adversidades: sensível ao oídio e o míldio. Por outro lado, é pouco sensível à botrytis. Apresenta fenómenos de incompatibilidade com Kober 6BB.

Avaliação qualitativa: casta de dupla aptidão, pode ser utilizada para uva de mesa e para vinhos espumantes ou sumos. Apresenta um nível baixo de açúcar e a sua cor não é muito rica. Devido à sua película fina, tolera com dificuldade os transportes longos.

Clones em multiplicação: Inra-Entav 202

Clones de próxima apresentação para homologação: Moscatel Hamburgo VCR 492, VCR 493, VCR 494, VCR 495.

 


 

Roseti Datier

 

Características ameplográficas: pâmpano de ápice expandido-globoso, verde com margens bronzeadas-rosadas. Folhas apicais um pouco dobradas de cor verde-dourada translúcida com tons bronzeados-rosados e glabra. Folha média, pentagonal, tripentalobulada com seio peciolar com base em U, margem ondulada, quase lisa, glabra de cor verde clara. Cacho grande, longo piramidal ou cilíndrico, solto, alado com uma ou duas alas. Bago grande de forma elíptica; película com muita pruína, ligeiramente espessa de cor amarela dourada; polpa crocante de sabor neutro.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: tardia.

Época de maturação: tardia.

Vigor: bom.

Fertilidade real: 1.10.

Produção: boa.

Peso cacho: 600-700g.

Peso bago: 7-9g.

Sementes: 2 por bago.

Teor de açúcar: 15-16%

Acidez total: 5%

pH: 3.32.

Resistência ao transporte: elevada.

Formação e poda: exige formas expandidas e podas longas.

Sensibilidade às doenças e adversidades: sensível ao oídio, míldio e escoriose.

Avaliação qualitativa: Ótima pelo seu sabor e aceite por um grande grupo de consumidores; boa resistência ao transporte e à vida útil na planta.

Clones em multiplicação: Regina ISV 6, ISV 9: referem-se ao biótipo Inzolia ou Pizzutella, caracterizado por bagos cilíndricos alongados.

Clones de próxima apresentação para homologação: Inra-Entav 304, 966.

 


 

Sublima Seedless

Cepa introduzida na Europa pela VCR, exclusiva à mesma.

Características ameplográficas: pâmpano de cor verde, ligeiramente cotanilhoso. Folha média-grande, pentagonal, heptalobulada-pentalobulada, lóbulos ligeiramente superpostos, página superior de cor verde média, glabra; superfície inferior de cor verde clara, glabra. Cacho médio-grande, piramidal, ligeiramente solto. Bago médio-grande, apireno, tronco ovóide de cor verde-amarelada com película fina; polpa sucosa ligeiramente crocante e de sabor neutro.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: precoce.

Época de maturação: média.

Vigor: bom.

Fertilidade real: 0.8.

Produção: elevada.

Peso cacho: 700-900g.

Peso bago: 5-5.5g.

Sementes: Ausentes.

Teor de açúcar: 4.2%

Acidez total: 4.2%

pH: 3.6.

Resistência ao transporte: boa.

Formação e poda: requer formas expandidas e podas médias-longas. Devem realizar-se múltiplas limpezas de cachos com a redução da parte terminal.

Sensibilidade às doenças e adversidades: dentro da norma.

Avaliação qualitativa: cepa muito interessante para o consumo em estado fresco, tanto pela sua precocidade, como por outras características produtivas.

 


 

Sultanita

Cepa muito antiga, originária da Ásia Menor. É a casta apirena mais difundida no mundo e utilizada tanto para o consumo fresco, como para uva passa. É também conhecida com o nome de Thompson Seedless.

Características ameplográficas: pâmpano de ápice aberto, verde, glabro, folhas apicais abertas, verdes e glabros. Folha de dimensões médias, pentagonal, verde, glabra com seio peciolar com lóbulos superpostos. Cacho médio-grande, piramidal, ligeiramente compacto. Bago pequeno, uniforme, ovóide com película fina, mas resistente e polpa crocante.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média.

Época de maturação: média-tardia.

Vigor: muito elevado.

Fertilidade real: 0.8.

Produção: elevada.

Peso cacho: 400g.

Peso bago: 3g.

Sementes: Ausentes.

Teor de açúcar: 16%

Acidez total: 3.2%

pH: 3.65.

Resistência ao transporte: média.

Formação e poda: requer formas expandidas com uma elevada carga de garfos. Precisa de operações de poda verde, desfolhação e eliminação de netos. A incisão anular e o uso do ácido giberélico permitem obter um peso médio do bago de cerca de 6gb.

Sensibilidade às doenças e adversidades: sensível ao desavinho, sobretudo em climas temperados e terrenos férteis. Manifesta incompatibilidade com 140Ru e S04.

Avaliação qualitativa: casta bastante interessante pela ausência de sementes e a respostas a tratamentos com ácido giberélico e incisões anulares. Resistência ao transporte, aspecto estético e características organolépticas ótimas.

Clones em multiplicação: Sultanina VCR 122.

Outros clones em multiplicação: Inra-Entav 919.

 


 

Supernova Seedless

Cepa criada pelo Instituto de Viticultura de Chisinau na Moldávia, cruzando Pbeda com Kishmish Rosa. É introduzida pela VCR, sendo a mesma a única titular de licença.

Características ameplográficas: pâmpano de ápice aberto, cor verde pálida e margens avermelhadas. Folha média-grande, pentagonal, pentalobulada, seios laterais superiores e inferiores com lóbulos ligeiramente superpostos; seio peciolar muito aberto. Página superior glabra de cor verde-média a verde clara; página inferior glabra de cor verde clara. Cacho grande, cónico, longo, frequentemente alado. Bago apireno, médio-grande, de forma ovóide ou alongada-ovóide e cor vermelha-rosada.

Características fenológicas e agronómicas: média.

Época de abrolhamento: média.

Época de maturação: precoce.

Vigor: bom.

Fertilidade real: 1.5.

Produção: média-elevada.

Peso cacho: 500g.

Peso bago: 5g.

Sementes: Ausentes.

Teor de açúcar: 15%

Acidez total: 5%

pH: 3.7.

Resistência ao transporte: escassa.

Formação e poda: cepa vigorosa com porte ereto; prefere formas expandidas tipo parreira, pérgula ou lira. Requerem-se operações de poda verde e eliminação de netos.

Sensibilidade às doenças e adversidades: casta com boa resistência ao míldio. Sensível às carências de fósforo.

Avaliação qualitativa: casta de uva de mesa apirena muito interessante para o consumo em estado fresco. Possuí gosto aromático delicadamente intenso. Apresenta um baixo índice de separação sendo fácil de esbagoar. As intervenções com ácido giberélico para conseguir uma maior consistência do pedicelo permitiram obter resultados positivos.


Victoria

Cruzamento conseguido na Roménia pelo Instituto de Investigações Hortícolas de Dragasani a partir de Lepodatu Victoria e Condei Gheorge. A sua origem genética é o Cardinal x Afuz Ali (Regina). Difundida inicialmente na Roménia e posteriormente na Grécia, onde encontrou uma grande difusão entre os viticultores, sobretudo nas zonas de Kavala e Calcidica.

Características ameplográficas: pâmpano de ápice expandido, verde e quase glabro. Folha grande, pentagonal com 5 lóbulos, seio peciolar aberto com base em U, de cor verde e página inferior quase glabra. Cacho grande, piramidal, ligeiramente compacto e de aspecto agradável. Bago grande, cilíndrico-elíptico de cor verde-amarela e sabor neutro; película com pouca pruína e ligeiramente espessa com coloração uniforme; polpa crocante com duas sementes.

Características fenológicas e agronómicas:

Época de abrolhamento: média.

Época de maturação: média-precoce.

Vigor: elevado.

Fertilidade real: 1.2.

Produção: elevada.

Peso cacho: 600-700g.

Peso bago: 10-12g.

Sementes: 2 por bago.

Teor de açúcar: 4.5%

Acidez total: 4-5%

pH: 3.5.

Resistência ao transporte: elevada.

Formação e poda: adapta-se a formas reduzidas e expandidas, pelo qual podem utilizar-se sistemas de parreira e espaldeira. Requer podas em verde, eliminação de netos e desfolhado, embora em menor medida que noutras castas.

Sensibilidade às doenças e adversidades: dentro da norma. Manifesta incompatibilidade com Kober 5BB.

Avaliação qualitativa: cepa muito interessante pela sua precocidade e ótimas características do cacho, como pela sua produtividade constante. Na seleção realizada pela VCR em colaboração com a Sociedade Virtohellas (Grécia), destacou-se pela sua uniformidade e controlo sanitário; trata-se dum cultivo muito adequado para todos os produtores de uva de mesa.

Clones de próxima apresentação para homologação: Victoria VCR 449. VCR 450.